Em roda de conversa promovida pelo ADURN-Sindicato, docentes refletem os desafios do mundo do trabalho

Publicado em 24 de março de 2025 às 10h48min

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Na última sexta-feira (21), a sede do ADURN-Sindicato foi palco da roda de conversa “Mundo do Trabalho: Desafios do Presente e do Futuro”. O evento reuniu docentes para debater as transformações nas relações de trabalho e seus impactos na categoria.  A atividade foi conduzida pela diretora de EBTT do sindicato, Gilka Pimentel, com participação do presidente do PROIFES-Federação e tesoureiro do ADURN-Sindicato, professor Wellington Duarte, e do professor Douglas Araújo, do Instituto Humanitas.  

Douglas Araújo abriu o debate trazendo uma análise a partir da obra de Karl Marx, destacando como a alienação está presente no processo social e na divisão do trabalho. Ele ressaltou que “somos portadores de memória”, enfatizando a importância da compreensão histórica das mudanças estruturais no mundo do trabalho.  

Na sequência, Wellington Duarte questionou a falta de uma identidade coletiva dos docentes em relação à sua jornada laboral. “A gente não tem horário de trabalho, a não ser na sala de aula. Qual é a nossa jornada? Qual é a jornada de trabalho do professor?”, provocou. O professor também criticou a crescente ideia de privatização dentro das universidades, alertando para iniciativas que enfraquecem o caráter público da instituição, como a inserção de “colaboradores” no ensino superior.  

Em seguida, os docentes presentes no evento tiveram a oportunidade de colaborar com a discursão. O presidente do ADURN-Sindicato, Oswaldo Negrão, alertou sobre os riscos da crescente precarização do trabalho docente. Ele destacou a chegada da inteligência artificial como um fator que pode ampliar a exploração da classe trabalhadora e relembrou os prejuízos causados por processos de terceirização e reformas trabalhistas. “Independente de nos reconhecermos ou não como classe trabalhadora, somos e seremos cada vez mais explorados”, afirmou.  

Oswaldo também criticou a disparidade salarial dentro do setor público e o enfraquecimento dos direitos trabalhistas, alertando para os impactos das mudanças na legislação. “Precisamos entender que a dinâmica da sociedade contemporânea se reflete no Congresso Nacional. [...] Já ganhamos precatórios na Justiça, e mesmo assim, ficamos anos esperando para receber. Isso diz muito sobre como o trabalhador é tratado no Brasil”, pontuou.  

O evento reforçou a necessidade de organização coletiva e mobilização da categoria diante dos desafios impostos ao mundo do trabalho. A atividade faz parte de um esforço contínuo do ADURN-Sindicato para fortalecer o debate sobre as condições de trabalho e os direitos dos docentes da UFRN.

ADURN Sindicato
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